OFICINA INTERCOM

Moradores da “Ilha da Banana” são expulsos e aumentam problema social

Fernanda Safira (UFMT/Cuiabá), Juliana Alves (UFMT/Cuiabá) e Tlyssia Társyla

(UFMT/Cuiabá)/DA REPORTAGEM

 

Local será demolido para retomada das obras do VLT. (Foto: Ahmad Jarrad/Circuito Mato-grosso)

Até meados de julho a “Ilha da Banana”, no centro de Cuiabá, entre a Avenida Coronel Escolástico e o Morro da Luz, será apenas uma lembrança. Essa região, cuja demolição começou no dia 11, consiste em diversos prédios abandonados, servindo como moradia para pessoas em situação de rua, sendo em sua maioria dependentes químicos. Isso se assemelha ao recente caso envolvendo o Governo do Estado de São Paulo, Prefeitura e a Cracolândia paulista.

Na capital mato-grossense, a ação foi iniciada pelo Governo do Estado, juntamente com a Prefeitura, para a retomada das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Este, que deveria ter sido concluído e entregue à população cuiabana em 2014, para a utilização durante a copa do mundo, terá um custo final de cerca de R$ 1 bilhão.

 

Um problema de saúde pública e de justiça social

Segundo os dados do IBGE de 2016, a cidade de Cuiabá apresenta, atualmente, uma população estimada em mais de 580 mil habitantes. Como em toda capital de médio e grande porte, existem centros de reabilitações gratuitos para dependes químicos, mas eles não abrangem a demanda necessária. Diante disso, ir para as ruas torna-se a principal escolha. Vide o caso “Ilha da Banana”, que se repete em outros pontos do centro, assim como em diversos bairros da cidade.

 

Dados de 2015 apontam que Cuiabá tem  845 moradores de rua, mas apenas 250 vagas em albergues

 

Tendo essa situação em vista, desde o ano de 2014 a Prefeitura de Cuiabá desenvolve o programa Consultório na Rua. O projeto propõe o auxílio no tratamento da saúde de pessoas em situação de rua, visando o retorno dos moradores ao convívio em sociedade.

Conforme a assistente social Vera Lúcia Ferreira da Silva, uma das responsáveis pelo programa, pessoas em situação de rua são mais propensas a contaminações por consequência da má higienização, convívio em ambientes insalubres e exposição a entorpecentes.

Em 2015, de acordo com a Prefeitura de Cuiabá, foram registrados 845 moradores de rua em toda a capital, porém, a cidade não tem albergues suficientes para abrigar todas estas pessoas. A cidade tem hoje quatro albergues, totalizando apenas 250 vagas. Nenhum desses albergues é exclusivamente feminino.

 

O que diz o povo?

Entrevistando a população da capital, pode-se notar que não havia conhecimento sobre os dados apontados acima e nem a respeito das demolições na “Ilha da Banana”.

“Não tô sabendo de nada, não, mas acho melhor tirar, né… Ter uma casa, uma casa de apoio pra poder trabalhar… Às vezes tem uns que são recuperados e outros não, pra quem quer, né…”, ponderou  Adebita, 53, dona de casa.

“Olha, eu sei pouco, vi a chamada no MTTV (da TV Centro América), que ia ser demolida, mas não parei para assistir. Não sei se tenho um posicionamento, porque ao mesmo tempo que ele serve de abrigo para as pessoas e é algo bom porque elas não têm pra onde ir, essas pessoas não têm assistência do Governo e nem da família. Então aquilo, que ao mesmo tempo é um refúgio pra eles, também deixa eles cada vez mais viciados, cada vez mais propícios a doenças… Qualquer tipo de violência pode acontecer com eles ali, são vulneráveis. Eu acredito que a maioria delas não tem recuperação, mas não significa que não se deve tentar. Elas com certeza deveriam ter assistência”. É o que pensa Annie, 20, estudante de Jornalismo.

“Tô sabendo, sim (referente a “Ilha da Banana”). Concordar eu não concordo, não, porque quando vi no facebook falava que tinha morador lá, então não concordo.  Deveria ser feito casa de abrigo, mas não sei sobre casa de abrigo em Cuiabá. É responsabilidade da Prefeitura, acredito na recuperação dos usuários”, comenta José, 21, também estudante de Jornalismo.

“Não tô sabendo… acho que tem que destruir mesmo. É o melhor pra cidade”, afirma dona Joaquina, 71, aposentada.

Assim como a idosa, o estudante de direito, Francisco, 21, acredita que uma possível ressocialização não irá dar certo. Só se recupera quem quer e a maioria não deseja isso, expôs ele, defendendo que o Ministério Público é o responsável por todo esse problema social.

Anúncios

Um pensamento sobre “Moradores da “Ilha da Banana” são expulsos e aumentam problema social

  1. Pingback: focagen

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s