Educação

Enem possibilita análise sobre diferenças no acesso ao ensino superior

 

O término do período de inscrições para o Enem 2016 é uma oportunidade para refletir sobre os contrastes existentes em relação ao acesso ao ensino superior no Brasil. É o que se pode observar em Alto Araguaia quando se coloca em análise a realidade de uma escola particular voltada a estudantes de classe média e uma turma de alunos de um colégio público cuja maioria mora na zona rural. As inscrições para o Enem se encerraram ontem (20) e as provas estão marcadas para os dias 5 e 6 de novembro.

Segundo a coordenadora da escola Objetivo, Rita de Cássia Souza Rangel, 45 anos, a maioria dos alunos matriculados no terceiro ano do ensino médio quer ingressar em um curso superior, principalmente em Medicina e Agronomia. “A escola incentiva os alunos a buscarem um curso superior e o material didático utilizado costuma ter conteúdos usados nas provas do Enem”, explica. Além disso, a coordenadora diz que o colégio proporciona dois simulados durante o ano.

Já a coordenadora da Escola Estadual Carlos Hugueney, Kenia Amador Pereira da Cunha, 32 anos, comenta que há uma diferença não só de pensamento, mas quanto ao modo de vida, entre os alunos do matutino e vespertino. Os matriculados na parte da manhã, que moram no perímetro urbano, têm um perfil semelhante ao mencionado por Rita (a maioria almeja um curso superior) e os jovens que estudam à tarde, e residem no campo, registram este desejo em menor intensidade.

Kenia menciona ainda que a escola possui um qualificado quadro de professores, como na disciplina de Português, que trabalha diversos temas e faz uma preparação específica para a prova de redação do Enem. “Inclusive muitos alunos se saíram muito bem no Enem na hora de fazer a redação”, confirma.

Falta de polo – Para a secretária municipal de Educação de Alto Araguaia, Abilene Antonia de Bastos Queiroz, 52 anos, a cidade deveria ser polo para a prova do Enem, por se localizar distante de Rondonópolis (cerca de 200 km). Dessa forma seria possível facilitar a realização das provas pelos estudantes das cidades vizinhas, como Alto Garças e Alto Taquari (MT) e Santa Rita do Araguaia (GO).

De acordo com a secretária, a Assessoria Pedagógica do município já fez essa reivindicação à Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso (Seduc), no entanto não foi possível por causa da logística a ser empregada e pelo sigilo das provas.

Abilene conta ainda que a maioria dos alunos costuma ir para Mineiros (GO), distante aproximadamente 90 km, para fazer o Enem, o que insere os candidatos de Alto Araguaia no senso de Goiás. “Em anos anteriores já disponibilizamos ônibus para os alunos fazerem provas em outras cidades, porém isto é difícil, pois diretores e professores não querem se responsabilizar pelos adolescentes”, conclui.

Por: Letícia Ayumi Yamasaki

 

2 pensamentos sobre “Enem possibilita análise sobre diferenças no acesso ao ensino superior

  1. Pingback: Ciclo de palestras oportuniza escrita intensa de textos e notícias | Jornalismo Unemat

  2. Muito boa essa matéria, pois reforça que muitos estudantes do ensino público – assim como seus pares das escolas particulares – têm vontade, sim, de ingressar no ensino superior. Também evidencia que existe a preocupação dos educadores em apoiá-los nessa dura batalha, e reitera a importância do apoio do governo estadual para criar condições e ampliar as possibilidades para que os alunos tenham acesso à universidade. Parabéns aos responsáveis por essa matéria!

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